Como já disse por aqui, eu e o meu Pedro começamos a viajar meses antes do dia em que partimos no primeiro avião. Gostamos de vasculhar sítios novos e diferentes, de desbravar caminho entre aquelas pérolas bem guardadas e desconhecidas pela maior parte das pessoas, mas para isso é preciso pesquisar muito, ver outros posts de outras pessoas que se equiparam aos nossos gostos e planear antecipadamente. Depois de ter suspirado com as fotos da viagem que o nosso padrinho de casamento fez nos lagos na Eslovénia, finquei pé e disse que teríamos de passar por lá.
Para além disto, uma das viagens que mais gostámos de fazer nos últimos anos foi mesmo a do UK, onde alugámos um carro e corremos os campos ingleses, encontrámos pequenas vilas e lugarejos que nos fizeram sonhar. Visto que o último ano tínhamos visto as grandes cidades de San Francisco e NY, estava na altura de voltar a fazer uma roadtrip e, desta vez, decidimos juntar o azul turquesa da Croácia com todos os verdes da Eslovénia. Posso garantir: estávamos longe de imaginar o quão inebriados íamos ficar com este país.
Mas a chuva não se fez de rogada e voltou a cair sem cessar, numa companhia que permaneceu o dia inteiro e que, mesmo assim, não nos demoveu. Assim, debaixo de chuva bem pesada, passámos Kobarid, mesmo no sopé dos Julian Alps e na fronteira com a Itália, em direcção à cascata de Boka, a maior e a mais surpreendente do território esloveno. Ao nosso lado, víamos as nuvens ali tão perto, as vacas mais simpáticas e o leito do rio.
As 26 curvas até ao ponto mais alto Vrsic Pass, são duma beleza pura, capaz de tirar o fôlego e de fazer o coração saltar um compasso. A estrada está aberta apenas durante 7 meses num ano, já que as passagens mais altas estão cobertas de neve no Inverno e esta é uma estação bastante longa nas montanhas da Eslovénia.
E, ao chegar ao topo dos 1611 metros, a neblina era tão cerrada e a chuva tão potente que quase não conseguíamos ver mais do que um palmo à nossa frente, num cenário tão assustador como parece. Mas o receio que sentíamos desvaneceu-se à medida que damos a primeira curva da descida e que nos deparamos com as montanhas imponentes, mesmo à nossa frente e ainda com neve.
No caminho para baixo, voltámos a encontrar os cenários mais avermelhados, das cores que pareciam não pertencer aqui. E, na oitava curva, havia um sítio que tinha anotado como paragem obrigatória: uma capela ortodoxa Russa, construída em madeira e uma homenagem aos prisioneiros russos e àqueles que perderam a vida na primeira Guerra Mundial.
No final desta estrada, encontrámos Kranjska Gora, conhecida pela sua estância de desportos de Inverno. Aqui, vimos o sopé da montanha que atravessámos, com todas as suas cores, mas também o lago Jasna, com uma cabra montesa que ilustra a tranquilidade que se sente por aqui.
Assim foi o nosso primeiro dia por terras eslovenas. Perdemos o ar quando vimos a cor do rio Soca, voltámos a recuperá-lo com os abraços que as nuvens nos deram, arrepiámo-nos com cada curva do pico de Vrsic Pass e o coração encheu-se com as vistas das montanhas e das árvores que as habitam. Este foi um dos dias mais intensos e recompensadores que já vivi. É que mesmo debaixo de chuva torrencial, as paisagens que se mostravam pareciam feitas de sonhos coloridos e mágicos. E deu-nos a certeza absoluta que queríamos voltar. <3
P.S. Para a semana volto com mais magia eslovena e mostro-vos os lagos. Fiquem por aí :)





























Que vontade de pegar nas malas e ir... Tão lindo <3
ResponderEliminarLINDO!!!!!!!!!!!!!!!!!
ResponderEliminarBeijocas kiduxa
Lá está, definitivamente fizemos o mesmo percurso ;) ...
ResponderEliminarLindo, lindo!!!