
(Damnoen Saduak Floating Market / Mercado flutuante perto de Bangkok, 2008)
Há viagens que nos marcam permanentemente.
Em 2008, estava a passar uma época complicada mental e fisicamente, andava muito triste comigo e com aquilo que queria para mim. Não sei explicar o que é uma depressão e, agora que olho para trás, apenas sei dizer que não é uma "mania" ou algo que consigamos evitar. É como se fosse um monstro a corroer-nos internamente e vai-se instalando de mansinho, sem darmos conta até ser tão imenso que é impossível de esconder. E depois apodera-se de nós. Apercebi-me que algo não estava bem porque simplesmente não conseguia parar de chorar. Era uma tristeza que morava no meu peito, que me impedia de respirar convenientemente e me obrigava a afundar-me cada vez mais nas memórias negativas. Tudo era mau, tudo era inconveniente. Tudo me parecia que estava a engolir e era mesmo isso que eu queria, que o Mundo me engolisse.
Em 2008, os meus pais decidiram oferecer-me uma viagem de sonho para que eu esquecesse o sono que me invadia. Foram mais de 3 semanas a viajar entre Bangkok, o Vietnam, Cambodja e Laos, numa perspectiva um pouco louca e que me deixou mais sã. Quando aterrei em Bangkok, pensei que ia desligar e foi exactamente o contrário, até isso poder acontecer. É que me deparei com a cidade que nunca dorme e onde tudo acontece, com as emoções à flor da pele, um choque para alguém que estava como eu. Perante esse desconforto, confesso que me escondi um bocadinho e houve um dia que fiquei a dormir, de manhã à noite e culpando o jet lag. Mas, lentamente e com o passar dos dias, deixei que esta viagem me mudasse, que fizesse a cura que era suposta fazer.
E hoje, quando pensei em tirar uma fotografia dum mercado, não me ocorreu outra que não fosse esta, exactamente no dia em que eu comecei a ser mais eu mesma, a voltar a conhecer-me e a aceitar-me. [sim, eu sei que a batota é ir buscar fotografias antigas, mas estou desculpada.]
P.S. Vejam também a aventura da karkova por estes lados, ali no blog dela. Tem-me feito viajar igualmente muito nas memórias. :)
<3
ResponderEliminarobrigada pela partilha da história ♡
ResponderEliminarSim, estou aqui com o coração pequenino por ter partilhado isto, que não é - de todo - o que mostro. Mas fez parte de mim e do meu passado, por isso não me envergonha minimamente e pode reflectir alguém.*
ResponderEliminarAgrada-me o riscado desta fotografia. O ambiente inóspito e, ao mesmo tempo, convidativo.
ResponderEliminarAssim acontece connosco. Somos tanto, em tantos momentos.
Não tenho dúvidas de que será complicado descrever um período pesado como esse. Fá-lo, e ainda bem, Raquel. Só assim faz sentido :)