Com 28 anos, revela o desconhecido com a facilidade de um psicólogo, apesar de não gostar de ser limitado apenas à sua licenciatura. Sempre apreciou a área da Saúde, mas a Psicologia só surge no secundário, onde somos obrigados a fazer escolhas a longo prazo. O interesse por temas como a personalidade e as relações interpessoais falou mais alto, muito embora agora reconheça que só entendeu o que era ser psicólogo quando terminou o curso. O emprego típico de escritório nunca fez parte dos seus planos, mas gostava de se sentir útil, de ver mudanças nas pessoas, ajudar duma forma organizada e positiva. No fundo, estimava a ideia de traduzir para a teoria aquilo que diariamente elaboramos na prática.
A sua formação iniciou-se no ISMAI, onde tirou o curso de Psicologia. Nem sempre se sentiu completamente adaptado àquele mundo; afinal, a sua vontade era ir para a pública. Ainda assim, assume que o seu rumo académico nunca foi prejudicado, facto mais do que comprovado durante o seu mestrado em Inglaterra, onde nunca se sentiu perdido. Na licenciatura, apercebeu-se que não queria seguir o percurso clínico e o estágio curricular em Psicologia da Saúde libertou-o da limitação de um gabinete. Foi assim que ganhou o gosto pela investigação e pela promoção da saúde. Afastou-se de Londres quando escolheu o seu local de mestrado: para ele era importante o contacto prático, um desafio que o fez crescer, tendo de saber lidar com a vida sozinho e encontrando a sua verdadeira identidade num mundo social e culturalmente diferente.
Numa área constituída maioritariamente por mulheres, o Ricardo defende a lógica da sensibilidade feminina, tão necessária para a empatia e a escuta activa que figuram a ciência dos Homens. Para ele, os homens são mais pragmáticos e o conforto de saber dividir os assuntos relativos ao consultório da sua vida pessoal surgiu com a experiência e com o passar dos anos. É necessário "separar as àguas" e o Ricardo representa a aliança perfeita entre a delicadeza do ouvir e a objectividade do estar.
Hoje em dia, não tem a independência monetária que almeja. Apesar de tudo, argumenta que faz aquilo que gosta e acredita. Ostenta o cargo de bolseiro de investigação pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde já participou para outros projectos de análise com assuntos relativos à Eutanásia, à Gravidez de Substituição, à Cardiologia e à Educação para os valores. O contacto com matérias relacionadas com a Medicina deram-lhe uma facilidade de entendimento e de manobra relativamente aos incentivos para a saúde. Actualmente dedica-se à avaliação cognitiva e psicológica das pacientes da Clínica da Mama do Instituto Português de Oncologia do Porto e tem vontade de abrir asas até outro lugar.
Contrariando a desmoralização demonstrada nestes tempos de crise, o Ricardo continua com um brilho especial no olhar. É o que designo como esperança, a maior qualidade dos vencedores.



Adorei...
ResponderEliminarÉs o meu orgulho e escreves tão bem que fiquei com vontade de conhecer o Ricardo!
Acho que o Ricardo também ia gostar de te conhecer, mamã :) Pessoas especiais deviam de estar sempre juntas!
EliminarFantástico! Excelente entrevista, muito bem elaborada, com uma ótima composição linguista. Muito simples e eficaz. Gostei bastante de toda a estrutura e temas elaborados. Não podia deixar de referir que também as fotografias estão de uma simplicidade e criatividade brilhantes. Adoro os enquadramentos. Parabéns pela elaboração da entrevista.
ResponderEliminarParabéns aos 2...! :)
ResponderEliminarNada como um encontro imediato :)
Continua Richard e chegarás longe!
Raquel, prometo acompanhar o teu blogue com regularidade :)
Tem sido uma boa surpresa...
Abreijos...!
Tiago Borges
Muito obrigada pelos comentários que me aquecem a alma! Vamos lá ver se continuam :)
ResponderEliminarRaquel vais-te tornar numa grande blogger e entrevistadora!! E eu fico ainda mais satisfeito por fazer parte dos teus entrevistados. Adorei!!! Continua!!
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